Esta semana voltei a chamar a atenção, através de comunicado, para uma situação que está a causar sérios prejuízos à ilha Graciosa e que não pode continuar a ser tratada como um simples contratempo.
Tenho conhecimento de grupos de turistas que compraram passagens para a Graciosa, organizaram as suas férias e reservaram serviços, mas que acabam por não conseguir chegar ao destino final.
Perante estas falhas e a incerteza, muitos acabam por desistir da viagem, regressar à origem ou alterar os seus planos para outras ilhas ou outros destinos.
Esta é uma situação extremamente grave. Não estamos apenas perante um problema de transportes. Estamos perante um problema económico, social e de credibilidade, que atinge diretamente a confiança dos residentes, dos empresários e de quem escolhe a Graciosa como destino.
Cada grupo que deixa de chegar à Graciosa representa quartos vazios nos alojamentos, menos refeições servidas nos restaurantes, menos carros alugados, menos compras no comércio local e menos rendimento para as empresas e famílias da ilha.
É verdade que a promoção turística da Graciosa continua aquém do que seria desejável, mas, ainda assim, os empresários têm investido, dentro das suas possibilidades, para qualificar a oferta e atrair visitantes. Todo esse esforço, no entanto, fica comprometido quando a principal porta de entrada da ilha falha.
Quando uma companhia aérea vende passagens para uma ilha, tem de garantir que essa venda corresponde a uma possibilidade real de chegada ao destino. Caso contrário, não está apenas a falhar perante o passageiro, está, também, a falhar perante toda uma economia local que depende da previsibilidade das ligações.
A SATA tem uma responsabilidade acrescida nos Açores. Não é apenas uma companhia aérea. É um instrumento de coesão territorial e um pilar fundamental do desenvolvimento económico das nossas ilhas.
Por isso, exige-se transparência, esclarecimentos e, sobretudo, soluções.
A Graciosa não pede privilégios. Exige apenas ligações aéreas fiáveis, previsíveis e compatíveis com a dignidade dos seus residentes e com as necessidades do seu desenvolvimento económico.
Cada turista que desiste de vir à Graciosa é uma oportunidade perdida para a ilha. E a Graciosa já perdeu demasiadas oportunidades para continuar a aceitar que a sua acessibilidade seja tratada desta forma.